terça-feira, 17 de março de 2009

Espiral II



França Alegre
Serra Verde
Regatos que se fundem e se avoluma em pequenos saltos ,fazem rolar as pedras.
Dizem que pedra que rola não retém limo .
Andamos tanto e o limo do caminho,da caminhada nos acompanham...
As cicatrizes deixadas nas árvores pra marcar o caminho,
como o pão dos pequenos João e Maria, também foram levados.
Perdemos o guia ,a referência.... o caminho de volta...
Mas não perdemos a nossa essência.
Não nos perdemos.
Eles abateram as árvores,
Britaram as pedras,
Poluíram o regato.
As cicatrizes permanecem, apenas no nosso ser,
Em imagens estáticas no tempo.
Elas são indeléveis , elas afloram quando removemos,as camada de limo ou verniz do tempo,
Do caminho ,do caminhante

Sob as camadas de vernizes ,a proporção que a removemos,

Nós,nos encontramos,reencontramos...


JATeixeira

Espiral


Há quem diga que a curiosidade é uma das muitas características do mundo feminino, mas preferimos crê que se trata de uma das muitas facetas do perfil humano. Acreditamos que a diferença prende-se a especificidade. Enquanto a curiosidade masculina é direta e específica à feminina é muito mais abrangente e irrestrita, é isso o que difere um do outro,o homem da mulher.

Um dia desses estávamos procurando alguma coisa no Google e em uma das páginas indicada estava “o Blog “ , onde vimos tuas publicações:sensibilíssimas 
Até então não sabíamos que eram tuas ,mas pressentimos e sentimos, talvez, aquele sobressalto que ocorrem ao reencontro de velhos amigos ,tão distantes... 

A porta entreaberta à alguns ou escancarada à outros que dominam , não o vernáculo, mas a linguagem do novo milênio:informatiquês.Entre Java,HTML,Cobol ,Delphi ou o singelo Flash,trafegamos com desembaraço e por engenharia reversa acessamos a bancos de dados onde, miraculosamente são guardados as font(es),onde ávido bebo.Apenas empaco quando as imagens são turvadas pelas lágrimas que rolam.Entramos acompanhados de antigos fantasmas das ocasiões passadas,e que não envelhecem nunca, pareciam todos felizes em nos ver e correm ao nosso encontro e nos dão as boas vindas... De mãos dadas percorremos seus becos e vielas ouvindo vozes antigas e conhecidas,daquilo que um dia já foi realidade e hoje não passa de “matrix” .onde em um caminho inverso ao Matrix somos plugados quando pequenas centelhas inflamam e provocam ignição nos nossos sensores reabilitando velhos axônios e dendritos a realizarem o milagre das sinapses mágicas que se fundem nos trazendo de volta todo o passado,descompilado e recompilado, por nossa engenharia reversa interior :Velhos sons familiares portando o aroma soprado pelo vento .Tudo parece contribuir para estimular sabores,cores e papilas gustativas O perfume era inebriante, e os rostos sorridentes... Eles nos acompanharam em um pequeno “tour”, nesse mundo que também já fizemos parte, um dia. As lembranças desfilaram...refletindo as nossas memórias, armazenadas em alguns terabites, adormecidos em lugares especiais . Esses caminhos já trilhados tantas vezes, rever rostos amigos, de tempos idos ;cruzar com caminhantes conhecidos, só nos causam alegria e contentamento.Temos vontade de abraçar a todos esses, aprisionados nesse lapso de tempo, guardados no nosso santuário interior ,ao qual ninguém tem acesso, a não ser os que fazem parte desse mundo cercado e protegido.

Há muito que cruzamos o Letes, mas nem mesmo ele, todo poderoso, conseguiu apagar ou minimizar nossa memória eternizadas nas milhares de imagens protegidas nos lugares mais recônditos do nosso coração e nem impedir que as lembranças voltem. De repente ,quando um pequeno estímulo ocorre:um rosto,um nome,um som,uma cor,um perfume....uma velha fotografia, ou até mesmo aquela folha ou pétala guardada nos cadernos escolares . Não sabemos o porquê: de repente tudo está de volta, até parece que sempre estiveram ali,caminhando conosco lado a lado :tácitas e invisíveis .O que achamos foi simplesmente,por um átimo,a chave que permite acessar ou adentrar a esse universo fechado do íntimo da nossa alma, cruzar o Letes de volta. 
E ali nós nos reencontramos. E nós, descobrimos a nós mesmos, a cada momento que tais fatos ocorrem, e lemos as entrelinhas dos textos e vemos os pixeis das imagens serem preenchidas na sua plenitude, e podemos compreender melhor o que elas querem nos dizer:Tudo, absolutamente tudo, faz parte de todo o mosaico que compõe o nosso ser.

Muito vento já moveram as velas amarelecidas, desbotadas do nosso moinho, mas mesmo envelhecido e povoado de fantasmas, ele continua de pé e as suas mós se movimentam devagar,não devido ao peso das pedras ou dos anos , mas querendo sentir cada grão ali interposto, como se fosse a última vez a moer; sentir o perfume do grão triturado, que enche com o seu odor, toda a casa. Nós queremos guardar esse cheiro para os dias de solidão; guardar todas as luzes e cores que alimentam essas imagens, para os dias de escuridão. Pois quando, por qualquer razão a tristeza e as lágrimas nos impeçam de ver; os sensores de direção percam o seu Norte; tenhamos o olfato congestionado ou tato bloqueado, não nos perderemos... 
Pois essas imagens armazenadas ao longo da jornada encontram-se diluídas em nosso ser e elas nos preencherão, nos reorientarão e nos farão companhia; e todos, os mais queridos, não nos abandonarão,estarão ali conosco, passo a passo! 
 Aqui o Khronos parou... e Karios exibe os melhores momentos eternizados que nos permite rever ,reaver esses momentos especiais que parecem retidos,para sempre, nas nossas retinas a espera de um momento para serem projetados, reprojetados...Nos aproximando do sublime e imperecível Aion.

O simples odor deixado em uma rolha ou o bouquet de uma taça de vinho tinto; uma cortina que permeia a entrada de luz , um sax que soa...ou até mesmo aquele distante dueto de violinos. Não sabemos o que ou como, mas de repente ali estão todos eles, aguardando o momento certo para desfilarem...!E como numa espiral mágica todos esses fantasmas dos momentos alegres e felizes, companheiros de jornada, se fazem presentes e nos recontam as suas história e nós interagimos, rimos e mergulhamos nesse espelho que reflete a nós mesmos e o que guardamos de mais importante da nossa caminhada...

Nós agradecemos a todos os que permeiam esse nosso universo com lembranças silentes, felizes e duradouras.

JATeixeira

segunda-feira, 16 de março de 2009

A importância de compreender e o passo da Curupira





Observa-se hoje, ainda bem, de uma maneira genérica, entre os milhares de municípios da União serem instituído,nos estatutos dos servidores, direitos que garantem um contínuo aprimoramento dos seus servidores nas chamadas “licenças para capacitação”. Onde se assevera que os cursos, quaisquer que sejam, sempre têm contribuído, de maneira indubitável, com formação e informações relevantes e aplicáveis diuturnamente à prática de trabalho além de favorecer o melhor relacionamento humano, quando da aplicação desse aprendizado. Sendo assim, um curso de aprimoramento traz informações de relevância para as diversas áreas de atuação do servidor e contribui inegavelmente para tornar esse servidor mais ágil e resoluto na aplicação desse aprendizado no seu dia a dia ,na lide com a cousa publica .
Temos visto em centenas de estatutos de servidores públicos, a tendência de interesse por parte dos gestores municipais no acompanhamento da nova ordem mundial e "a consequente adequação do quadro de servidores aos novos perfis profissionais requeridos, por meio de capacitação permanente, objetivando a valorização do serviço público.”

Por outro lado e em marcha-à-ré observa-se muitos gestores públicos de visão míope ou plena de casuísmo trôpego, onde uma visão obtusa de atraso parece ser a constante que determina os atos quixotescos de atraso caricatural e recrudescem a manifestação firme e contrária à concessão de licença especial para frequência dos cursos.Cursos esses ,as expensas dos próprios interessados.

Às vezes, vozes dissonantes e claudicantes acreditam ser um despropósito tais cursos ou talvez “eles” e unicamente eles, possam ter tais prerrogativas. Sabemos de um caso, patético e deplorável,que seria cômico não fosse uma tragédia épica e grave que representa os atos do próprio “tribunal do Santo Oficio”em 2009 e que acredita que tais “licenças para aperfeiçoamento” "não servem para aprofundar conhecimentos e simplesmente trata-se de um beneficio pessoal (que busca status) e só representa os seus próprios interesses, sendo portanto um desperdício e um despropósito liberar um servidor para tal.”entre outros despautérios e sofismas grosseiros. O indeferimento de uma solicitação de aperfeiçoamento,por parte do poder público, não causa estranheza quando lê-se nas entrelinhas os atos maquiavélicos planejados contra os que o antecederam.Visível perseguição política com sabores de stalinismo.Não sendo isso, resvala em uma atitude imatura e revela o íntimo de um poder de calças curtas que parece ter medo que lhe roubem o pirulito.

No que se refere às posições torpes ou vis, contrários a tais concessões ou licenças, não só divergimos como também as combatemos por crermos que se tratam de equívoco onde o fulcro e alavanca se distanciam da base da evolução, busca constante e permanente que fazem do ideal humano uma fonte perene de ascensão e onde tais visões embaçadas e premissas caducas, alicerçadas no lodo, carece argumentos sólidos para a defesa dos seus pontos de vistas e transitam na contra-mão do progresso.

Acreditamos que hoje o conhecimento e a busca perene de capacitação e aperfeiçoamento são determinantes cruciais que dão parâmetros e estabelecem a grande diferença entre sucesso e fracasso e onde os meios, que estão ao nosso alcance, se constituem um modelo e referencial na sociedade atual,não podendo jamais ser objeto de dúvidas ou ter seu o acesso cerceado por casuísmos esdrúxulos ou por visão retrógrada que anda em marcha a ré e unicamente enxerga as imagens e passagens já acontecidas ,como da popa de um navio.
O impedimento e cerceamento dos interesses individuais que busca o aperfeiçoamento representam, além de um descaso e afronta a esses direitos, um perigo real na inversão de valores e objetivos permanentes do ser humano:crescer.

Diante da globalização existente e presença marcante na nossa vida diária, seja nas informações ou nos bens de consumo vemos com o pensador,que afirma "a soberania de informação do Estado nacional, como parte de sua soberania política, já não existe mais. Os Estados nacionais já não podem mais viver trancafiados; suas fronteiras protegidas por armamentos estão esburacadas. No que se refere à sua ligação com o espaço de comunicação global, há uma novidade: globalização informativa" Ulrich Beck .Diante de tal raciocínio é preciso que estejamos aptos a competir, e essa competição vai se acirrar a proporção que essas distâncias são encurtadas .

Os atos caudilhescos rodeado de assessores estrábicos, onde prevalece muito riso e pouco siso, são arroubos de palanque de pouco ou nenhuma valor prático, onde persiste a teimosia dos asnos de Buridam que desconheciam a real necessidade da união ,para avançar. E na contra-mão da historia, pensa como um tupiniquim ,acreditando nas suas próprias lendas e fantasias, espelha-se no Curupira que segue sua marcha longa e penosa com passos trocados. 

JATeixeira

quinta-feira, 12 de março de 2009

A Pedra


"O distraído nela tropeçou…

O bruto a usou como projétil.

O empreendedor, usando-a, construiu.

O camponês, cansado da labuta, dela fez assento.

Para meninos, foi brinquedo.

Drummond a poetizou.

Já David matou Golias, e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura…

E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem!

Não existe “pedra” no caminho que não possa aproveitá-la para o seu próprio crescimento."

domingo, 8 de março de 2009

Compagni di Viaggio



Non ci sono compagni di viaggio Não há companheiros de viagem,
lentamente da soli il varco lentamente e sós passo a passo
cerchiamo fra mani procuramos entre as mãos
che stringono il segreto que apertam o segredo
dell'arcipelago che siamo do arquipelago que somos

Ogn'isola innalza la bandiera Cada ilha ergue a bandeira
che ha:può essere di stoffa que tem:pode ser de tecido
puó essere di carta,mutare pode ser de papel,mudar
nel salto d'una mosca num salto de uma mosca
o nel cammino della tartaruga ou no caminhar da tartaruga.

Volgiamo l'occhio alle banddiere bianche. Volvamos o olhar às bandeiras brancas
Uno di noi potrebbe essere il fratello Um de nós poderia ser o irmão
che cammina solo que caminha só
senza compagni di viaggio sem companheiro de viagem.

Melo Freni

sexta-feira, 6 de março de 2009

Um ”jeito” + Um Agrônomo = Visto Consular


-Nome?

-Paulo

-Profissão?

-Médico

-Idade?

-25 anos

-Recém-formado?

-Sim.Há oito meses

-Pretende exercer a profissão no Brasil?

-Não sei... talvez com o tempo...Não conheço a língua.

-Então, em lugar de médico, vamos colocar :agrônomo.

Assim posso fornecer o visto imediatamente.Sabe como são essa coisa,não? Quotas de profissões, instruções confidenciais de imigração, besteiras ...sem importância. Em todo caso, assim ficará cem por cento dentro das normas legais.

O cônsul brasileiro falava um inglês claro e compreensível e sorria para mim como se fora um ginasiano que,acumpliciado com um amigo, acabasse de enganar o professor.

-Obrigado. Mas gostaria de evitar uma declaração falsa que futuramente viesse a incriminar-me Não entendo nada de agronomia...posso sair mal. Não saberei como explicar às autoridades...Para ser sincero, acho uma solução pouco recomendável .

Enquanto eu falava, pela minha cabeça desfilavam todas as experiências anteriores com funcionários graduados de diversos países e de vários governos, inclusive os de minha própria pátria.

“Pois sim...este homem está me provocando. Quer me instigar a fazer uma declaração falsa...quem sabe para quê? Quer observar minha reação...

Redobrei meus esforços para enfrentar aquele homem aparentemente tão sincero mas, na realidade , um verdadeiro “agente provocador”

Porém, ele não me deu muita importância. Veio para bem perto de mim.

- Meu filho, este negócio de agrônomo não vai ser problema. Assim que chegar, quando estiver no Brasil...no Brasil...

Parou. Percebi que procurava a palavra adequada. Falava um inglês carregado, mas fluente .Ficou pensando e depois de alguns instantes virou-se para o auxiliar:

- Castro ! Como você diz em inglês “ lá no Brasil você dá um jeito”

Castroaparentava ter uns 50 ou 55 anos. Gordo,usava óculos grossos e era totalmente calvo. Virou-se para mim:

- Sr Paulo, eu falo bem o inglês, mas prefiro o alemão.Posso mesmo considerar o alemão como a minha segunda língua materna,pois nasci no sul do Brasil, onde predominou a colonização alemã. Meu pai era filho de alemães e freqüentei escoilas onde parte dos exames era feita neste idioma. Mas “ dar um jeito” não posso traduzir para o alemão...e tampouco para o inglês.

Bateu no meu ombro, levou-me para um sofá e sentou-se ao meu lado.

- Escute com tenção. Vamos ver se consigo traduzir. Você é médico, não é?

- Sou.

- Vai declarar que é agrônomo?

- Vou.

Acha que será uma declaração falsa ou, digamos, uma afirmação sem fundamento?

- Mais ou menos.

- Meu caro Paulo, não se trata disso, absolutamente.Apenas queremos dar um jeito (facilitar) para que você possa viajar sem mais delongas. Evitamos somente que perca seu tempo e possa embarcar logo. Seu visto ficará pronto à tarde.

Percebi então que não se tratava de provocação , mas ainda não sabia que acabara de falar com dois representantes de um povo onde as leis são reinterpretadas, onde regulamentos e instruções centrais do Governo já não decretados com um cálculo prévio de percentagem em que serão cumpridas, onde o povo é um grande filtro das leis e os funcionários, pequenos ou poderosos, criam sua própria jurisprudência. Ainda que esta jurisprudência não coincida com as leis originais , conta com a aprovação geral, se é ditada pelo bom senso.

O cônsul José de Magalhães e Albuquerque é um desses indivíduos que, de acordo com sua própria convicção, modifica ou simplesmente ignora os parágrafos que não coincidem com sua opinião particular

Não sugeriu a mudança de médico para agrônomo com a preocupação de ganhar dinheiro ou algum presente. Era milionário de terceira geração, cônsul por esporte e passa-tempo. E não mandou que me desse o visto imediatamente para se livrar de mim: contava com mais de trinta funcionários para me chutar, conversar, desanimar, enfim – para me despachar.

O Cônsul Geral dos Estados Unidos do Brasil, mandou dar um jeito. Apesar das leis de imigração, das quotas, das profissões preferenciais, ele sabia que naquele ano entraria no Brasil, pelo antigo, comprovado e incontrolável sistema de nascimentos naturais, mais de dois milhões de seres, sem consultar conselhos, cônsules ou embaixadores; sabia também que esses dois milhões de “recém-chegados” não teriam profissão recomendável, dinheiro, capacidade imediata de produção e... nem mesmo sabiam falar

Meu cônsul talvez estivesse pensando no problema do aumento constante da população. Mas não estava disposto a pechinchar com mil ou cinco mil almas, quer estas se transformassem em médicos, quer se transformassem em agrônomos ou guarda-nortunos.

Para ele o problema não existia, pelo menos nesses moldes mesquinhos, e estava disposto a assumir, perante o mundo a responsabilidade por sua atitude liberal. Sabia também que não correria grandes riscos, pois jamais existirá um brasileiro, incluindo o próprio legislador das leis de imigração que não compreenda e não apóie este “jeito” consular.

Peter Kellemen (húngaro)1961

quarta-feira, 4 de março de 2009

Em Busca Da Maldade



Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo.Pitagoras

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