domingo, 3 de maio de 2009

A Praça





Quanto dessa praça ainda carrego ,depois de tantas andanças.
Do carrinho da pipoca e do tabuleiro de pirulito
Jogar pião e outras disputas, em meia as crianças
Eu silencio, eu abafo e contenho meu grito
Que explode no peito essa dor contida e na face rola
Furtivamente essa antiga lágrima guardada
Da fuga de amor da primeira namorada
De quem nunca me despedi, vim embora...
Lembrando aquele jardim,a alamanda amarela
Que ornava seu cabelo, de maneira tão singela
Eu mantinha a esperança que ela voltasse, qualquer hora.
Hoje tanto tempo passou, mas ainda lembro
Era época natalina, muito quente, pleno dezembro,
Ela com seu vestido branco de renda, da alsácia,
Desfilava entre outras flores, daquela praça
Mais de uma vez passou por mim e nem me viu
Deixou-me tão triste e desapontado
Fiquei tão doente ,fiquei prostrado
Eu que fiz a mim mesmo,juras mil
Pedi a Deus, fiz mil e uma prece
Para que se ela não me quisesse
Ali mesmo eu a deixasse
E para sempre a esquecesse
E como nas velhas ” kermesse”
sem fevor,de nada valeu minha prece !...
Hoje ainda me dói na alma, pois sempre a vejo, tristonho,
Por entre as flores daquela praça, de alamanda amarela no cabelo,
Aquela terna e inesquecível menina dos meus sonhos.
JATeixeira

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Rodovias e Privatizações

Muitas vezes, atrás dos espelhos encontram-se câmeras escondidas com os propósitos mais escusos; temos jogos de cenas ensaiados, situação lúdica onde nos deparamos com as mesmas regras, invariavelmente; e cuja verdadeira face se esconde atrás de uma máscara imaculada, onde a real motivação permanece oculta atrás do lucro mesquinho, imediato transubstanciado num modelo de pureza e altruísmo. Parece um enredo misterioso de um crime no Expresso Oriente ou daTeoria da conspiração, cujos envolvidos nessa trama diabólica só tendem a lucrar com o espólio da vítima.


Quando foi criado a TRU (Taxa Rodoviária Única) estavam isentos de pagamento TODOS os veículos que não transitassem em Rodovias Federais; àquele cidadão que usasse o seu veículo unicamente num estrada vicinal, para ir de casa para sua lavoura, estradas municipais ou estaduais não se encontravam submissos a lei, portanto estavam isentos. Como não houve nenhuma reação, não demorou muito para que o Governo da União tornasse abrangente as novas regras para todo o Território Nacional. E aí está o IPVA,que também não foi suprimido para os veículos das regiões pedagiadas. Isso me lembra a história daquele pastor luterano


Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar Martin Niemöller.



Ninguém se opõe,ninguém diz nada eles nos empurram garganta abaixo suas regras e simplesmente temos que as cumprir e passamos achá-las normal ,natural. E elas nos sufocam,nos asfixiam mas são incorporadas indefinidamente as nossas vidas .



"Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam - Isso é natural
Diante dos acontecimentos de cada dia,
Numa época em que corre o sangue
Em que o arbitrário tem força de lei,
Em que a humanidade se desumaniza
Não digam nunca: Isso é natural não sufoquem
A fim de que nada passe por imutável."


Para que esse grito e não fique trancados na nossa garganta e nos sufoque O nome não altera a essência das coisas ,o fato de nominar odor,olor,fedor,catinga,etc,etc. não altera em nada a putrefação que emana das entranhas e subterfúgios, onde são tramado as ações contra os indefesos. Eles mudam os nomes das TAXAS, dos impostos, dos tributos, das contribuições, etc, etc quando se cansam dos velhos nomes; outras vezes eles decidem por neologismos de sonoridade melhor, ou vezes para alterar os seus valores ou destinar a outros fins,é insaciável o apetite da besta. Pensam os incautos que foram extintos estes... ou aqueles impostos quando os líderes políticos a público, veem a público dizer nas suas entrevistas que eram impostos perversos, corrompedores, etc,etc : aquele amontoado de frases ocas, de efeito peremptório ,decisivo para por fim a contendas, dúvidas, rejeição ou protestos vãos. Na realidade tudo encontra-se travestido com nova roupagem e novos modus operandi: é o protocolo ! Assim se opera a todos os níveis as velhas raposas matreiras, enquanto tem cordeiros para serem sacrificados.


Mudaram o nome de DNER para DENIT imaginem o custo que temos que pagar: os gestores são os mesmos,novos papeis tiveram que ser impressos,placas trocadas. Isso me lembra aquela piadinha do homem que se chamava Zé Burro e deu entrada no fórum solicitando a alteração pois era vítima constante de zombarias.O juiz deferiu a solicitação e ele passou a ser chamado João Burro,ele não gostava mesmo era do Zé! Que diferença faz se o tributo,imposto é chamado TRU ou IPVA?


A quem interessa os distúrbios que são “armados” ao longo das rodovias? Reivindicações ,cartazes, faixas,etc?. Quem lucraria mais com a duplicações das rodovias? Por que as estradas a serem privatizadas não partem de um trajeto novo? Muitas vezes as pessoas são usadas e não se dão conta disso: que o problema não é meramente ganhar uma bolsa miséria hoje e amanhã? Por trás dessas “trápolas” sempre existem motivações escusas, montadas,farsantes.


Tempos atrás li uma declaração do Administrador do Município de uma cidade próxima e a margem da Br 470 (Apiúna) diante das pressões para duplicação. Ele afirmava que era favorável a pavimentação asfáltica da outra margem do Itajaí-açú:novo trajeto,novo desenvolvimento,novas possibilidades. E é o que o parece mais razoável, por várias razões: favoreceria o desenvolvimento e incremento turístico da outra margem, daria a opção segura de transitar por uma rodovia paralela ao mesmo trajeto da Br470 que sofrendo uma interdição ocasional seria uma rota de desvio e em sendo privatizada teríamos uma rota paralela e legal para evitar o pedágio. Além do que a duplicação da BR 470 seria algumas dezenas de vezes ,quem sabe centenas mais cara para duplicar do que pavimentar o novo trajeto ;


Quando da celeuma e dos ânimos inflamados exigiam a duplicação da Br 101, foi feito uma outra opção,um outro traçado que teria custo infimamente menor do que a tal duplicação, além de favorecer o desenvolvimento de uma nova região; mas a imprensa subsidiada, para não usar um vocábulo mais agressivo, não se interessou em difundir tal alternativa, nem tampouco divulgou os dados e custos relativos que se teria interiorizado a rodovia, de trajeto paralelo; e as benesses em favorecer o desenvolvimento da nova região e adjacências. Pelo contrário desencadearam campanhas, recolheram as assinaturas e difundiram as meias-verdades da velha regra já demasiadamente conhecida:a cada verdade se intercala duas mentiras e essas passam como verdadeiras”. Os prefeitos das margens do traçado atual se opuseram a outro traçado, que não fosse a duplicação; É obvio que outro traçado seria contrário aos seus interesses pessoais e pecuniários; não só no que se refere aos aspecto fiscal do município, ao trânsito em si que muitas vezes trazem potencialmente muitos negócios, mas sobretudo porque, os opositores do novo traçado são possuidores de terras ao longo do trajeto e viram ali aumentar em alguns milhares de dólares suas posses ,além daqueles casos de indenizações milionárias, referentes a duplicação.


Será que agora não teremos mais acidentes, mortes e violência no trânsito da BR101 ?


Tudo é uma questão de Educação, Consciência e Bom Senso.


Escolas e mais Escolas é disso que o mundo precisa !

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Panta Rhei


"Tudo flui e nada fica como é"


O rio que desce o vale
Não é o mesmo
Em que ontem me banhei.
Seu constante movimento
Renovaram suas águas.
As correntes de outrora
Fragmentaram-me o ser.
De sorte que hoje,
Não sou o mesmo
Que era antes.
Prossigo morrendo
A cada minuto que vivo.
Transformo-me velozmente,
Como que em um instante,
Num reflexo de luz.
O processo é ativo.
A marcha é contínua.
Viver é a arte da morte.
A morte uma forma de vida.
O curso é contrário.
Princípio é final.
O fim é início.
Anacronismo girante.
Nada é estável.



Heráclito de Éfeso

535AC a 484AC

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Para Fazer Um Verso


"Para fazer um verso, precisa-se ter visto muitas cidades, homens e coisas. Precisa-se ter experimentado os caminhos de países desconhecidos, despedidas longamente pressentidas, mistérios da infância não esclarecidos, mares e noites de viagens. Não basta mesmo ter recordações: precisa-se saber esquecê-las, precisa-se possuir a grande paciência de esperar até que elas voltem. Pois as próprias recordações não o são ainda. Antes, as recordações devem entrar em nosso sangue, nosso olhar, nosso gesto; quando, então, as recordações se tornam anônimas e não se distinguem do nosso próprio ser, então pode acontecer que, numa hora rara, nasça a primeira palavra dum verso."RMRilke

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sonhos




Na verdade, a grande verdade dos sonhos
é que até as lágrimas que vertemos,
se cristalizam e se eternizam
 nas nossas retinas,
 ali permanecendo, ad infinitum,
incólume a ferrugem do tempo.

Os nossos grande sonhos e desejos,
 às vezes proibidos,
 permanecem para sempre ignotos
 e trancafiados do mundo,
 mantendo-se apenas
 nas profundezas abissais
 do nosso coração,
 em dimensões que correm em paralela
 àquela que complementa
e completa a história que não finda.

Podem nos tirar quase tudo,
menos a nossa alma, o nosso âmago.
Ninguém nos pode tirar:
 as nossas lembranças silentes e adormecidas
 a quem tudo se confia,
a própria vida em uma taça.
Por isso não há quem desfaça
 o que destino marcou...

Perdi os livros que mais gostava,
 os emprestei...
As canções mais doces e ternas que me embalaram,
não sei onde as deixei.
A cachaça guardada em coco ,
 de sabor tão doce ,
não sei onde as enterrei.
As fotos escondidas nos livros ,
que trazia sempre comigo,
por castigo as perdi

A minha amiga mais querida,
um inimigo a levou.
A figueira, sob a qual ficamos tantas vezes,
o tempo a secou
A alamanda amarela , que levavas no cabelo,
a muito murchou

E valeu a pena? Não morremos de pena ,
Apenas de dor ,
consumido como vela que extingue,
ao clarear do dia
Mas à sua luz, juras foram feitas...
Nesses encontros marcados
e guardados à sombra do tempo
Cristalizados e retidos
eternamente nas nossas lembranças.


Portanto não vou matar a minha saudade
 vou revivê-la , em toda a sua plenitude,
cada vez que ali volto...
JATeixeira

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Trottola


Un filosofo si tratteneva sempre dove c’erano bambini a giocare. E quando vedeva un ragazzo con una trottola, si metteva subito in agguato. Non appena la trottola girava, il filosofo la inseguiva per prenderla. Che i bambini facessero chiasso e cercassero di allontanarlo dal loro giocattolo, non gli importava; se riusciva a prendere la trottola, mentre ancora girava, era felice, ma solo un istante, poi la buttava via e se ne andava. Credeva infatti che la conoscenza di ogni inezia, dunque anche, ad esempio, di una trottola che gira, fosse sufficiente per conoscere l’universale. Perciò non si occupava dei grandi problemi; gli pareva antieconomico. Conoscendo realmente la minima inezia, è come conoscere tutto; perciò si occupava soltanto della trottola girante. E ogni qualvolta si facevano i preparativi per farla girare, aveva la speranza che vi sarebbe riuscito, e quando la trottola girava, mentre la rincorreva ansimando, la speranza gli diventava certezza, ma poi, quando si trovava in mano quello stupido pezzo di legno si sentiva male e le grida dei bambini che fino a quel momento non aveva udite e ora invece gli colpivano improvvisamente le orecchie, lo facevano fuggire, sicchè andava barcollando come una trottola sotto una frusta maldestra. Franz Kafka, The top, 1920