- Que explode no peito essa dor contida e na face rolaFurtivamente essa antiga lágrima guardadaDa fuga de amor da primeira namoradaDe quem nunca me despedi, vim embora...Lembrando aquele jardim,a alamanda amarelaQue ornava seu cabelo, de maneira tão singelaEu mantinha a esperança que ela voltasse, qualquer hora.Hoje tanto tempo passou, mas ainda lembroEra época natalina, muito quente, pleno dezembro,Ela com seu vestido branco de renda, da alsácia,Desfilava entre outras flores, daquela praçaMais de uma vez passou por mim e nem me viuDeixou-me tão triste e desapontadoFiquei tão doente ,fiquei prostradoEu que fiz a mim mesmo,juras milPedi a Deus, fiz mil e uma precePara que se ela não me quisesseAli mesmo eu a deixasseE para sempre a esquecesseE como nas velhas ” kermesse”sem fevor,de nada valeu minha prece !...Hoje ainda me dói na alma, pois sempre a vejo, tristonho,Por entre as flores daquela praça, de alamanda amarela no cabelo,Aquela terna e inesquecível menina dos meus sonhos.JATeixeira
domingo, 3 de maio de 2009
A Praça
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Rodovias e Privatizações
Muitas vezes, atrás dos espelhos encontram-se câmeras escondidas com os propósitos mais escusos; temos jogos de cenas ensaiados, situação lúdica onde nos deparamos com as mesmas regras, invariavelmente; e cuja verdadeira face se esconde atrás de uma máscara imaculada, onde a real motivação permanece oculta atrás do lucro mesquinho, imediato transubstanciado num modelo de pureza e altruísmo. Parece um enredo misterioso de um crime no Expresso Oriente ou daTeoria da conspiração, cujos envolvidos nessa trama diabólica só tendem a lucrar com o espólio da vítima.
Quando foi criado a TRU (Taxa Rodoviária Única) estavam isentos de pagamento TODOS os veículos que não transitassem
“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar Martin Niemöller.
Ninguém se opõe,ninguém diz nada eles nos empurram garganta abaixo suas regras e simplesmente temos que as cumprir e passamos achá-las normal ,natural. E elas nos sufocam,nos asfixiam mas são incorporadas indefinidamente as nossas vidas .
"Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam - Isso é natural
Diante dos acontecimentos de cada dia,
Numa época em que corre o sangue
Em que o arbitrário tem força de lei,
Em que a humanidade se desumaniza
Não digam nunca: Isso é natural não sufoquem
A fim de que nada passe por imutável."
Para que esse grito e não fique trancados na nossa garganta e nos sufoque O nome não altera a essência das coisas ,o fato de nominar odor,olor,fedor,catinga,etc,etc. não altera em nada a putrefação que emana das entranhas e subterfúgios, onde são tramado as ações contra os indefesos. Eles mudam os nomes das TAXAS, dos impostos, dos tributos, das contribuições, etc, etc quando se cansam dos velhos nomes; outras vezes eles decidem por neologismos de sonoridade melhor, ou vezes para alterar os seus valores ou destinar a outros fins,é insaciável o apetite da besta. Pensam os incautos que foram extintos estes... ou aqueles impostos quando os líderes políticos a público, veem a público dizer nas suas entrevistas que eram impostos perversos, corrompedores, etc,etc : aquele amontoado de frases ocas, de efeito peremptório ,decisivo para por fim a contendas, dúvidas, rejeição ou protestos vãos. Na realidade tudo encontra-se travestido com nova roupagem e novos modus operandi: é o protocolo ! Assim se opera a todos os níveis as velhas raposas matreiras, enquanto tem cordeiros para serem sacrificados.
Mudaram o nome de DNER para DENIT imaginem o custo que temos que pagar: os gestores são os mesmos,novos papeis tiveram que ser impressos,placas trocadas. Isso me lembra aquela piadinha do homem que se chamava Zé Burro e deu entrada no fórum solicitando a alteração pois era vítima constante de zombarias.O juiz deferiu a solicitação e ele passou a ser chamado João Burro,ele não gostava mesmo era do Zé! Que diferença faz se o tributo,imposto é chamado TRU ou IPVA?
A quem interessa os distúrbios que são “armados” ao longo das rodovias? Reivindicações ,cartazes, faixas,etc?. Quem lucraria mais com a duplicações das rodovias? Por que as estradas a serem privatizadas não partem de um trajeto novo? Muitas vezes as pessoas são usadas e não se dão conta disso: que o problema não é meramente ganhar uma bolsa miséria hoje e amanhã? Por trás dessas “trápolas” sempre existem motivações escusas, montadas,farsantes.
Tempos atrás li uma declaração do Administrador do Município de uma cidade próxima e a margem da Br 470 (Apiúna) diante das pressões para duplicação. Ele afirmava que era favorável a pavimentação asfáltica da outra margem do Itajaí-açú:novo trajeto,novo desenvolvimento,novas possibilidades. E é o que o parece mais razoável, por várias razões: favoreceria o desenvolvimento e incremento turístico da outra margem, daria a opção segura de transitar por uma rodovia paralela ao mesmo trajeto da Br470 que sofrendo uma interdição ocasional seria uma rota de desvio e em sendo privatizada teríamos uma rota paralela e legal para evitar o pedágio. Além do que a duplicação da BR 470 seria algumas dezenas de vezes ,quem sabe centenas mais cara para duplicar do que pavimentar o novo trajeto ;
Quando da celeuma e dos ânimos inflamados exigiam a duplicação da Br 101, foi feito uma outra opção,um outro traçado que teria custo infimamente menor do que a tal duplicação, além de favorecer o desenvolvimento de uma nova região; mas a imprensa subsidiada, para não usar um vocábulo mais agressivo, não se interessou em difundir tal alternativa, nem tampouco divulgou os dados e custos relativos que se teria interiorizado a rodovia, de trajeto paralelo; e as benesses em favorecer o desenvolvimento da nova região e adjacências. Pelo contrário desencadearam campanhas, recolheram as assinaturas e difundiram as meias-verdades da velha regra já demasiadamente conhecida: “a cada verdade se intercala duas mentiras e essas passam como verdadeiras”. Os prefeitos das margens do traçado atual se opuseram a outro traçado, que não fosse a duplicação; É obvio que outro traçado seria contrário aos seus interesses pessoais e pecuniários; não só no que se refere aos aspecto fiscal do município, ao trânsito em si que muitas vezes trazem potencialmente muitos negócios, mas sobretudo porque, os opositores do novo traçado são possuidores de terras ao longo do trajeto e viram ali aumentar em alguns milhares de dólares suas posses ,além daqueles casos de indenizações milionárias, referentes a duplicação.
Será que agora não teremos mais acidentes, mortes e violência no trânsito da BR101 ?
Tudo é uma questão de Educação, Consciência e Bom Senso.
Escolas e mais Escolas é disso que o mundo precisa !
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Panta Rhei

"Tudo flui e nada fica como é"
O rio que desce o vale
Não é o mesmo
Em que ontem me banhei.
Seu constante movimento
Renovaram suas águas.
As correntes de outrora
Fragmentaram-me o ser.
De sorte que hoje,
Não sou o mesmo
Que era antes.
Prossigo morrendo
A cada minuto que vivo.
Transformo-me velozmente,
Como que em um instante,
Num reflexo de luz.
O processo é ativo.
A marcha é contínua.
Viver é a arte da morte.
A morte uma forma de vida.
O curso é contrário.
Princípio é final.
O fim é início.
Anacronismo girante.
Nada é estável.
Heráclito de Éfeso
terça-feira, 28 de abril de 2009
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Para Fazer Um Verso

"Para fazer um verso, precisa-se ter visto muitas cidades, homens e coisas. Precisa-se ter experimentado os caminhos de países desconhecidos, despedidas longamente pressentidas, mistérios da infância não esclarecidos, mares e noites de viagens. Não basta mesmo ter recordações: precisa-se saber esquecê-las, precisa-se possuir a grande paciência de esperar até que elas voltem. Pois as próprias recordações não o são ainda. Antes, as recordações devem entrar em nosso sangue, nosso olhar, nosso gesto; quando, então, as recordações se tornam anônimas e não se distinguem do nosso próprio ser, então pode acontecer que, numa hora rara, nasça a primeira palavra dum verso."RMRilke
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Sonhos

Ninguém nos pode tirar:
Por isso não há quem desfaça
Perdi os livros que mais gostava,
As canções mais doces e ternas que me embalaram,
A cachaça guardada em coco ,
As fotos escondidas nos livros ,
A minha amiga mais querida,
A figueira, sob a qual ficamos tantas vezes,
A alamanda amarela , que levavas no cabelo,
E valeu a pena? Não morremos de pena ,
Apenas de dor ,
Mas à sua luz, juras foram feitas...
Nesses encontros marcados
Cristalizados e retidos
JATeixeira
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Trottola

Un filosofo si tratteneva sempre dove c’erano bambini a giocare. E quando vedeva un ragazzo con una trottola, si metteva subito in agguato. Non appena la trottola girava, il filosofo la inseguiva per prenderla. Che i bambini facessero chiasso e cercassero di allontanarlo dal loro giocattolo, non gli importava; se riusciva a prendere la trottola, mentre ancora girava, era felice, ma solo un istante, poi la buttava via e se ne andava. Credeva infatti che la conoscenza di ogni inezia, dunque anche, ad esempio, di una trottola che gira, fosse sufficiente per conoscere l’universale. Perciò non si occupava dei grandi problemi; gli pareva antieconomico. Conoscendo realmente la minima inezia, è come conoscere tutto; perciò si occupava soltanto della trottola girante. E ogni qualvolta si facevano i preparativi per farla girare, aveva la speranza che vi sarebbe riuscito, e quando la trottola girava, mentre la rincorreva ansimando, la speranza gli diventava certezza, ma poi, quando si trovava in mano quello stupido pezzo di legno si sentiva male e le grida dei bambini che fino a quel momento non aveva udite e ora invece gli colpivano improvvisamente le orecchie, lo facevano fuggire, sicchè andava barcollando come una trottola sotto una frusta maldestra. Franz Kafka, The top, 1920





Timbo

