quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O Aprendiz Malazarte e a Sopa de Pedra






Malazarte se despediu do Mestre e saiu pelo mundo para polir a sua pedra bruta e depois de muito andar e com muita fome ele chegou a uma casa onde morava um casal muito mesquinho. Viu que eles tinham um bonito pomar,uma horta verdejante e muitos animais no estábulo,mas não compartilhava nada com ninguém
- Então ele disse : Bom Dia Sra ! Eu sou um viajante faminto e cansado. Venho andando há muitos dias e...
Interrompendo,disse-lhe a velha:
-Diga logo o que queres, meu marido saiu e eu estou muito ocupada .
Pois bem,diz ele,estou com muita fome. Será que a senhora pode me ajudar?
-Como ajudá-lo,nem o conheço e aqui não tenho nada para oferecer.
- Não, a senhora não me entendeu,não estou pedindo nada . Se eu puder usar o fogão, só preciso de uma panela e um pouco d’água,para fazer uma “Sopa-de-Pedra” .
- Sopa de pedra?
- É... – disse ele, retirando da sacola três seixos de pedras, bem polidos .
– Com estes “seixos” aqui ,tenho feito a melhor “sopa-de-pedra” do mundo.
A velha mesquinha e curiosa atendeu ao pedido do Malazarte e lhe deu uma panela de ferro.
Malazarte, encheu a panela com água,deu três batidas ritimadas com as pedras :toc.toc...toc jogando-as dentro e botou tudo no fogo. Quando a água entrou em ebulição, ele experimentou e disse:
- Hummm!!!... Esta sopa vai ficar ótima... Só está um pouco insossa .A Sra. Não tem um pouco de sal ? Sabe,Sra, o sal é o tempero da vida !
- Claro, disse-lhe,ela, lhe alcançando o saleiro
Malazarte pôs três pitadas e com uma trolha bem longa ele a agitou a “sopa”,experimentando novamente .
- Ótimo,está ficando excelente.A Sra. Não teria um pouco de tempero,tipo alho,cebola,pimenta? Isso acentuaria o sabor e a deixaria a sopa mais cheirosa e apetitosa
-Claro, tenho uma horta com tudo isso,já trarei.
- Malazarte ,acrescenta tudo de três em três ao que a mulher curiosa lhe pergunta.
-Por que sempre você acrescenta sempre de três em três ?
Ao que ele responde:
O meu mestre é o melhor “chef cuzinière do Oriente da França” e ele dizia :”três são as verdades que sai da boca de Deus:”Sabedoria,Força e Beleza” Pois com sabedoria estou fazendo essa “sopa-de-Pedra”Com a Força do Fogo eu transformo o alimento que preciso e a Beleza é o reflexo da felicidade que fica por sermos gratos, por ela nos ter saciado a fome.
A velha foi rápido buscar o que Malazarte pedia e se esmerava para observar e aprender para fazer aquela sopa de pedra,pois pensava que certamente poderia economizar bastante com receita tão simples.
Malzarte acrescentava os novos ingredientes na panela ,usava a trolha para mexer e em seguida fazia um ar de interrogação, dúvida.
- O que foi? – perguntava ela.
- Está cada vez melhor,mas parece-me que falta alguma coisa.... Quem sabe uma fatia de lingüiça ou carne...
Ela mais do que rápido já providenciava
– Se é uma sopa tão maravilhosa, não vai ser por falta de três fatias de carne que vamos alterar essa maravilha.
Malazarte repetia seu gesto mágico, de três em três, precipitando tudo na panela. E em seguido,respirando profundamente,repetia:-Tá ficando bom!
- Ela está boa de sal e tempero,portanto saborosa.O que será que o meu mestre poderia acrescentar para ela ficar com beleza?
-Ah! Já sei está faltando alguma coisa na cor,não achas?Quem sabe algumas folhas de couve ,uma fatias de cenoura, umas batatinhas,não resolveria esse impasse?
A mulher mais do que depressa providenciou o solicitado pelo Malazarte e já não se limitava a olhar, estava ajudando como um bom aprendiz,afinal ela queria saber todas as etapas daquela sopa tão maravilhosa . A sopa borbulhando espalhava no ar aquele perfume, que abre qualquer apetite,mesmo os fechados a sete chaves.
- Pronto! Agora ela está justa e perfeita! Traga-nos os pratos,ele disse.
Nisso,chega o marido e ela disse :
-Aprendi hoje a fazer a melhor sopa do mundo ,vais ver só
Ela trouxe três pratos, e ele serviu. Enquanto ela observava para ver o que ele faria com as pedras Ele as retirou ,uma a uma, as embalou cuidadosamente e as guardou . E ela perguntou.
-Queres me vender essas pedras? .
- As pedras? Não,não posso eu ainda as estou polindo.Mas,te dou três pedras brutas , quando elas estiverem polidas, já saberás fazer uma boa sopa !!!

Sapientia, Salus e Stabilitas

JATeixeira

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Felix Felicis:impressões




Quando fizemos o vestibular, muitas pessoas nos cumprimentaram por havermos passado.Tivemos um professor de Física,pequeno,”miúdo”,César, da Fortaleza de Mathias Becker,que nos perguntou,assim:Pensaste em mim,ou lembraste de alguma coisa que te ensinei,nas minhas aulas?Timidamente ou sem saber o que responder, afirmamos que sim. Então ele ,somente assim, nos congratulou. Hoje tanto tempo decorrido daquele episódio, podemos concluir que: o que resta, o que sobrevive realmente desses que marcaram as nossas vidas, são esses episódios gravados, indelevelmente, em nossas memórias.Não é o tamanho que tinham ou aparência ou quem sabes uns trejeitos estranhos ou aquele sotaque típico dos “pápa-maricos”;muito dessas ocasiões,ainda não desbotaram,permanecem incólumes e intactas,embora tantos ou tantíssimos anos já tenham passado.Ele, entre muitos, permanece redivivo nas nossas memórias.E mesmo que não tenhamos lembrado dele, naquele dia fatídico de “Angst” e sobressaltos do vestibular,a sua presença permanece intocável,inalterada nesses labirintos que nos compõe.E quando esses liames de caminhos invisíveis se abrem nos corredores e vielas das nossas memórias ,inevitavelmente,outros também surgem e os fazem companhia,parecendo querer dizer:-“Nós estamos aqui também!” Foram professores,colegas,amigos e mestres.Ainda temos anexo,em um recanto qualquer tipo “PS” ou Post Scriptum” a lembrança do telescópio.A cada vez que pensamos em “Telescópio”abre-se esse anexo, onde está gravado em negrito e sublinhado a proposta que eles nos fez : trocar um telescópio por um relógio Seiko.Que infelizmente,pra nós, não se concretizou.Mas,entre muitos professores e mestres que tivemos, um dos quais temos uma grande parcela de gratidão entremeado aos risos e boas lembranças desses momentos “Zeitgeister “ é do Mestre Felix e suas aulas de português,onde semanalmente,aos sábados ou seria sexta-feira(?),que importa o dia ,nós nos apresentávamos cantando alguma coisa para melhorar a nota e mais do que a nota essas sessões nos melhoravam...e fizeram com que déssemos passos mais seguros na vida:A apresentação pública,quebrava o receio, a timidez e disciplinava a voz e postura diante dos colegas,nessas manifestações que ainda hoje reverberam nas minhas lembranças.Tínhamos um colega “Sorriso”e o seu odor inconfundível de PHEBO, invariavelmente cantava “Yesterday”.E o Miguel,fazia o acompanhamento, magistralmente,com o violão.Digo magistralmente,pois sem nenhum ensaio,ele se contorcia pra encontrar os acordes necessários à apresentação. E hoje, embora distanciado de tudo e de todos esses “Zeitgeister” que compõe as nossas lembranças. Podemos afirmar que eles permanecem e formam um lastro importante e são revividos, vez por outra: acordam e desfilam, como se ontem fôra.E à todos esses, a nossa eterna gratidão e por terem feito parte dessa nossa jornada e contribuído,de alguma forma, nessa formação e mesmo que não nos vejamos,jamais;tal qual tijolo eles fazem parte da construção, desse arranjo de carbono, água etc., que somos todos nós.
JATeixeira

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Péricles - Discurso aos atenienses


Propomos a todos ler e celebrar o discurso de Péricles, feito aos ateniense e embora essas plavras tenham sido escritas e pronunciadas há tanto, soa surprendemente atual,bastando substituir a Atenas para o nosso momento histórico, onde o medo não é mero simbolismo troiano
Águas turvas que podem apagar o brilho dos olhos e deixar um gosto amargo de um sentimento de perda e a sensação de abandono que se apodera das nossas esperanças mais simples..

Péricles - Discurso aos atenienses, 461 aC
Aqui em Atenas ,nós fazemos assim:
. Aqui o nosso governo favorece a muitos, em vez de alguns, a isso chamamos: democracia.
Aqui em Atenas nós fazemos assim:
-As leis asseguram justiça igual para todos nos seus litígios privados, mas nunca ignora os méritos da questão.
Quando um cidadão se distingue, então, será, em detrimento de outros, chamados a servir o Estado, mas não como um ato de privilégio, e sim como uma recompensa ao mérito e a pobreza não é um impedimento,para isto
Aqui em Atenas nós fazemos assim:
A liberdade que desfrutamos se estende também à vida diária; nós não suspeitamos uns dos outros e não nos aborrecemos nunca com os nossos próximos,se lhes agrada viver a sua maneira.
Somos livres, livres para viver como nós gostamos e mesmo assim,ainda estamos sempre prontos para enfrentar qualquer perigo.
Um cidadão ateniense não descuida dos assuntos públicos, mesmo quando atende aos seus assuntos privados, mas sobretudo não utiliza do expediente público para resolver seus assuntos particulares , pessoais.
Aqui em Atenas nós fazemos assim:
Nós temos sido ensinados a respeitar o poder judicial, e nós fomos ensinados a respeitar as leis e não esquecer nunca que devemos proteger as vítimas.
E também fomos ensinados a observar as leis,mesmo as não escritas mas que são universalizadas pela justiça e bom senso .
Aqui em Atenas fazemos assim:
Um homem que não se preocupa com o Estado,nós não o consideramos inofensivo, mas sim inútil, e poucos são incapazes de dar a vida ao Estado e aqui em Atenas nós podemos julgá-lo.
Nós não consideramos a discussão como um obstáculo no caminho da democracia.
Nós acreditamos que a felicidade é fruto da liberdade, mas a liberdade é apenas o fruto do valor.dessa mesma liberdade .
Em suma, eu proclamo que de Atenas é a escola da Hélade, e que cada ateniense cresce desenvolvendo em si uma feliz versatilidade: a fé em si mesmo, e o preparo para enfrentar qualquer situação e é por isso que nossa cidade está aberta para o mundo e nós não expulsamos nunca nenhum estrangeiro .
Aqui em Atenas nós fazemos assim..
Péricles - Discurso aos atenienses, 461 aC

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Amor Perfeito.



Porque os amores não duram para sempre, por melhores que tenham sido,quando faziam parte das nossas vidas!? Um dia qualquer e eles fatalmente se dissipam com os novos raios de sol;acabam como as gotículas de orvalho,evaporando-se lentamente diante da realidade de um novo dia ! Às vezes, esses fantasmas nos rodam e nos incomodam por não sabermos porque findaram. Se por casuísmo da vida ou, se às vezes, devido a uma discussão tão tola:meus livros,teus discos,uma fotografia... ou uma palavra áspera, proferida em um momento inoportuno. Às vezes, os nossos amores ou aquelas que seriam nossa “alma gêmea”, redundam num equivoco e a passamos a nos ver como estranhos... e nada do que façamos, altera . Nada do que digamos, muda essa situação, como se fosse uma lei natural da vida: onde as flores fenecem, onde o dia escurece, onde tempo passa e com ele arrasta, inexoralvemente,tudo.As vezes é surpreendente e estranho pensar que aquela a qual estávamos presos por liames invisíveis,por explicações incompreensíveis tenham se ido e nem sequer se despedido;Já não lembramos mais o número do telefone, da rua onde morava ou do seu perfume, deixado nas cobertas,no travesseiro. É assombroso como tudo se processa: ela fazia parte das nossas vidas dos nossos projetos. Conhecia nossos anseios mais íntimos, nossos medos e segredos.E hoje, não passa de vácuo,um vazio. Hoje, ela seria uma estranha qualquer. Quem sabe, nos cruzemos,vez por outra,e nem nos damos conta disso.Numa avenida,numa praça ...sei lá onde, e nem notemos. Se está mais velha, mais magra, alguns cabelos acinzentados ou se nada mudou. Pouco ou nada mais importa. É uma mera sombra irreconhecível, de um passado, que não mais nos assombra. Que não mais nos persegue ou deixa em sobressaltos,quando atendemos uma ligação e ouvimos uma voz diferente.Seria ela? E lembrar quantas vezes o coração disparou... A vida segue por paralelas que as vezes se cruzam,e nessas mesclam-se ,entremeiam-se às nossas veias, capilares,vênulas e arteríolas: sangue veneoso e arterial se confundem e nos deixam cianóticos. Para depois se separarem para sempre, onde fica apenas uma marca que esmaece até sumir. Embora possam permanecer esses traços indeléveis que já não nos magoam ou nos faz a face ruborizar,ou as mãos suarem em pleno inverno. Os sonhos não permaneceram e tão misteriosamente quanto essas paralelas se tocaram ,elas voltaram às suas próprias rotas. As arritmias e sobressaltos das despedidas se foram...pois passamos compreender que a maturidade também é uma lei natural que age sobre todos, indistintamente,até entre os amantes que se foram... levando os sonhos adolescentes das noites de verão, juntamente com as flores perfumadas do “Laranjal” .Hoje, não nos parece que são meramente sonhos desfeitos ,parece mais um processo de amadurecimento que fatalmente todos temos que passar, por ter sido separados por Zeus, no inícios dos tempos, o par perfeito unidos em um só:andrógino
As realidades já não as mesmas... Amanheceu! Mas a maldição permanece: a eterna busca dessa metade separada, desde o início dos tempos,nos move sempre de equívoco em equívoco a procura daquela que nos completa e permanece vivo em nossas memórias atávicas,esse amor-perfeito, desfeito.Então, aceitar que os antigos amores tenham ido, favorece a aceitação do vazio do sonho extinto e lentamente ocupado por outros buscas,outras realidades .Quando isso ocorre,podemos compreender que embora aquele espaço esteja reservado àquela história, nas nossas memórias,outras histórias e outros compartimentos existem a serem explorados .E no momento que aceitamos ou compreendemos que esses amores findaram, amadurecemos. Mas, é impossível remover essa história que pensávamos ser a certa. Essa, como outras tantas, permanece, apenas minimizada em um lugar reservado à todas elas. É parte do castigo ,do desafio aos deuses que nos separaram e nos fazem sofrer nessa eterna e incessante busca...Mas,podemos compreender que inegavelmente todas elas contribuíram para o grau de amadurecimento que temos.Portanto,os deuses não devem ser odiados ou desprezados ou até mesmo o sofrimento dali advindo.Acreditamos que deve permanecer unicamente nesses resíduos de memória que não são apagados, o que restou de melhor ou que nos tornou melhores;assim poderemos lidar com esses fantasmas sem nos assustar ,sem blasfemar, pois aprendemos como lidar com eles e ainda descobrimos, que também as essas que buscamos como as nossas metades separadas ,elas também sofrem,mas amadurecem e continua ad infinito a eterna busca...
JATeixeira

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ópera nas Ruas

http://www.youtube.com/watch?v=NLjuGPBusxs

Ópera nas Ruas

Ópera nas Ruas

Ópera nas Ruas

Achamos a idéia magnífica:a desmistificação e descida da ópera dos palcos e sua aproximação do povo que a adora e a aplaude,mesmo aqueles que dizem não gostar dela.Não é de ópera que elas não gostam.Eles não gostam é da distância que existe entre eles.Quando a ópera desce do palco e se expõe e se aproxima das pessoas,quebra as barreiras que a separa,o elitismo e glamour que a mantém tão fria e distante essas abrem os braços e a recebem com flores.A ópera é cativante
Achamos que a idéia foi feliz em obteve resultados positivos desse contato que a tornou acessível a todos ,que despiu sua “realeza” e a aproximou das ruas,do povo...
JATeixeira

Asociacion GAYARRE
Amigos de la Ópera
Navarra-España
Vejam aqui:
http://www.youtube.com/watch_popup?v=NLjuGPBusxs&vq=medium

Mercado de Valencia
E aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=Ds8ryWd5aFw
Seis cantores disfaçados,no mercado público de Valencia