terça-feira, 18 de setembro de 2012

Paúla vs Paola

Fomos a Porto Alegre e encontramos um antigo colega de escola.Ele não mudou nada, continua vermelho até a respiração,não é aquele vermelho intrínseco próprio da pele mais clara,o vermelho dele tinha essa coloração do partidão:rançoso e parado no tempo,só faltaria pra completar que ele se tornasse mulçumano.Mas ele, em contraste com as base ideológicas do partido, era católico romano fervoroso,embora admitisse que frequentava um terreiro,ele se dizia eclético .O seu vermelho era extrínseco,dado pelas diversas camadas de idéias gramsciana, como verniz ,em grossas pinceladas que o impedia de respirar.Participava de qualquer ato de agitação.Adorava os piquetes e as greves.E desde que não fosse para trabalhar, ele estava dentro de qualquer protesto.Dizia que a comida do RU era muito cara e ia comer no restaurante da esquina.Gozava de todas as regalias presumíveis e possíveis:bolsa de estudo remunerada em uma Universidade Federal,onde recebia uma ajuda de custos,bolsa de trabalho , onde nunca aparecia e se ia lá era pra protestar.Tinha também bolsa alimentação,moradia na Casa do Estudante,etc,etc.Era o velho Mel Ano de Godiva.

-Mas e aí Godiva ? Que tens feito?
-Pois olha ,tche .estou trabalhando lá em São Sebastião do Caí,no meio da alemoada.Uma vez por mês venho a Portinho,buscar a pensão do tempo de serviço militar.
-Pensão,como pensão teu pai não era milico,lhe perguntamos? O que te ocorreu no exército?
-Levei um “coice” do fuzil num exercício militar e o meu ombro nuca parou de doer,fui aposentado por invalidez.
-Mas,te dói mesmo?
-É, as vezes quando sopra um “pampeiro” ou eu tenho que fazer perícia, ele “pega” a doer e só pára depois da perícia.É incrível ,parece até que “advinha”.
Mas e no mais? Fora esses teus excessos de trabalhos,o que tens feito?
-Ah! Vou levando essa vidinha de sempre...Tenho uns “bicos” na prefeitura,também sou do Sindicato,é por aí...Tu me conheces!
-Essa é tua filha?
Sim, essa é a Paúla ,dei o nome em homenagem a uma líder lá da comunidade.

Mas “Paúla”,Godiva ?.Surpreso com o nome perguntei-lhe se o nome não seria Paula.Ao que ele nos disse que era Paúla ,pois era nome de pobre se fosse de rico seria Paôla.

Ele nos disse que a sua família tinha esses nomes esquisitos ou questionáveis .A sua irmã era pra ter sido registrada como ONÇA e quando o tabelião recusou-se a registrar um nome de animal em uma criança, o Pai dele se ofendeu e alegou que era discriminação, pelo fato de ser pobre.Pois o nome do filho do Deputado rico é Leão.Ao que o tabelião explicou que esse era o nome de uma Papa famoso .Pra mim não importa se é nome de papa ou de sopa.Se eu quiser registrar a minha filha como Sopa Campbell,pode? Leão é o nome dele porque é ele rico.Leão é animal e Onça também é um animal,por que não posso batizar a minha filha com o nome de animal,só porque sou pobre.O Deputado rico o filho é Leão e a filha é Emma são dois nomes de animais.

Bah! Pensei,É o velho Godiva mesmo!Tal pai ,tal filho.


É, mas os tempos são outros e em nome dos direitos das minorias,da galinha da unha preta-matizada que está em extinção e outros casuísmo atuais,tudo é permitido.
No Brasiltem essas esquisitices.

Na verdade a grafia de Paula em italiano é com um “Ô” em lugar do “U” ,em português.A pronúncia é igual,não muda absolutamente nada.Mas, o tupiniquin gosta de acentuar ou a dar destaque a esse “Ô”.Pra eles soa mais chique.É a eterna síndrome de colonizado e complexo de inferioridade.Onde um conjunto de características o submete a essa eterna dependência de ex-colônia.Os nomes usados na gastronomia ,nas bebidas ou nos nomes das lojas,nos salões de beleza.Ao invés de conferir um ar de universalidade expõe a pecha de provincianismo,pois as palavras usadas não estão relacionadas diretamente com o ambiente onde vive e sim é uma alusão visível ,às vezes risível,de um modernismo pretensiosamente ridículo.Para exemplificar melhor,vi um dias desses alguém que usava uma camisa ,onde se lia :I am a Horse”,de fato o é. Muitas vezes uso resvala do chic para o simplório e revela a pobreza de espírito e conhecimento da língua que quer usar. Baby house ,car wash,drugstore,etc,etc.Ultimamente há quem use “Printar” ao invés de imprimir.

Os nomes de família que tem grafia estrangeira é priorizada em detrimento de um nome compreensível em língua “brasileira”.Veja,por exemplo,o nome do Ex-presidente Collor.Por que não dizer Ex presidente Melo,pois o seu nome é “Fernando Collor de Melo”,já que no código civil brasileiro o nome do pai vem por último,quando usa-se também acrescentar o nome da mãe.Por isso abreviamos os nome internos ou não usa-se abreviar nem o pré-nome nem o último nome.Em espanhol é o contrário abrevia-se último nome,pois é referente ao nome da mãe.José Rodrigues da Silveira,no Brasil abreviaríamos assim: José R.da Silveira.Se fosse em país hispânico para José Silvera Ruiz,se abreviaria “R”. Ficaria José Silvera, R. onde “R” é uma clara referência ao nome da mãe.O nome do pai é intercalado no meio,no Brasil é colocado por último.Mas,em terras tupiniquins,não .Não é o caso de ser o nome da mãe ou do pai que se escolhe .Se fosse um Zé Silveira da Silva,não teria importancia.Mas a escolha recai sobre o de pronúncia incompreensível. O nome mais CHIC ou estrangeiro é o que deve prevalecer ou aparecer,mesmo que muitas vezes na sua origem não seja nada importante ou nobre mas dado a incompreensão da língua de origem ele tem um “staus” privilegiado.
Nos lembramos de uma certa cerimônia de anúncio de noivado em uma igreja luterana,onde o noivo contratante pede ao pastor que use de discrição para anunciar o seu nome,pois esse sempre lhe causa constrangimento .O nome em questão é Kuhschwanz,para os que não sabem alemão pode até parecer um nome pomposo.Mas é muito mais embaraçoso do que pomposo.Pois nada mais é do que o “rabo-da-vaca”,onde Kuh é vaca e Schwanz é cauda ou rabo.A propósito disso , o meu amigo van de Sande afirmava que a maioria dos nomes extravagantes que surgiram na Europa por imposição da obrigatoriedade do registro civil napoleônico, achavam que assim procedendo estavam fazendo uma ofensa direta aos franceses e ao seu Imperador, jamais imaginariam que iriam carregar ou legar um nome tão jocoso para todas as gerações seguintes.
Pois é,façam suas escolhas,joguem seu dados,façam suas apostas e sejam felizes...
JATeixeira

Pos Scriptum
O Godiva pode ficar tranquilo quanto a escolha do nome da filha,ele não é tão estranho quanto parece ,já existe antecedentes que justifiquem a sua escolha.Em Portugal existe uma localidade chamada de Paúla


Em Paúla ela irá sentir-se em casa.
Veja aqui:
http://www.facebook.com/CentroCulturaldePaula?sk=wall&filter=1

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

die MAUS Haus

As imagens e as palavras parecem ter vida própria e desfilam livremente ,esperando que alguém possam compreendê-las ou até muito mais do que isso, elas trazem impressa os desejos e segredos latentes, nos sons inaudíveis que não se dispersam ou nas entrelinhas silentes de todos que passaram por ali...

Estáticos, nos quedamos diante delas para tentar ouvi-las,para tentar entendê-las e absorver esse sentido retido nas frestas dos seus fundamentos, desse amor puro, às vezes escondido das deformidades do mundo e sentimos que a deformidade não está nem no homem nem no mundo, mais nessa interação mal interpretada,mal compreendida.Gostaríamos de poder auscultar de cada tijolo, o sentimento ali depositado: desde quando o oleiro retirou a argila da terra e agregou aquele pedaço de massa inerte, toda a sua energia,suor,pensamento e determinação para modelar e converter em algo, que junto a outros, serviria para proteger e abrigar.Tentar imaginar o que dizem as aberturas e dos que as cruzaram tantas vezes:apressados,calmos,amorosos, tristes,alegres ou apreensivos com o futuro,com as incertezas,com a dor .O porquê de seus ângulos curvos ,polidos,ou até mesmo a escolha do modelo,das cores e dos odores entremeados de suas lembranças.A madeira,ainda parece guardar o suor do esforço, desde a primeira cicatriz do machado que a arrancou da terra ou de quando o aço da serra rompia as suas nervuras,separava os liames que as unia e ela ao invés de ressentimentos enche os espaços com o seu perfume:o Cedro,a canela ,o ipê.

E por último, depois que cumpriu os seus propósitos, tomba mais uma vez, diante daquele que a fará voltar à mãe comum de todas as coisas,ao pó de onde surgiu ,como toda a vida. As térmitas antes de ser um flagelo,são uma dádiva,uma completude no eterno ciclo das estações da vida.Elas são ávidas em cumprirem o seu papel de cobradoras e fazem com que devolvamos o que a natureza nos emprestou por uma geração.

Por alguns minutos, nos detemos naquela cozinha e vemos aquele fogão, embora inerte, parece ainda fumegar crepitante e encher toda a casa com cheiro do café da tarde mesclado ao sabor de uma generosa fatia “Streuselkuchen mit Milchkaffee”

Vejo no pequeno quarto de costura peças de roupa e tecidos a espera de mãos habilidosos para o transformarem em vestimentas.O ferro à brasa ainda fumega e enche de olor e calor os dias frios nas noite invernais .Roupa de cama dobradas com esmero, que demonstra o amor das mãos que, antes de deitar, afaga a cabeçinha dos seus filhos com carinho.

Emudecido diante do que foi ali ,não unicamente pelos sonhos que se cumpriram... mas ao sentir uma última lágrima que rola pela face ,ao ver o elo final desfeito.Sinto não ter palavras para traduzir ou externar a dor diante das ruínas,embora elas tenham cumprido o seu propósito,como as sementes que brotaram... É esse sentimento de finitude que resta,da filosofia que contesta o abandono da vida

JATeixeira

sábado, 8 de setembro de 2012

Joshua Bell e a Indiferença

Apressados ou Indiferentes ?

Em uma manhã de inverno ,Joshua Bell chega na estação do Metrô de Washington recosta-se em uma das suas entradas,retira o violino do seu estojo e começa a tocar.Durante 43 minutos ele magistralmente interpreta Bach,Schubert para os passageiros que por ali passam,mas todos vão apressados ,a maioria indo para o trabalho e não querem se atrasar.Alguns poucos passantes ainda retardam o passo ao verem um violinista se apresentando mas em seguida retornam a sua marcha contra o tempo, pra não chegarem atrasados aos seus compromissos..Alguns passam e colocam algumas moedas na sua “case” que se encontra aberta ao lado,mas na param ...

Um homem para por alguns segundo,mas de repente olha o impiedoso Chronos que o impele a continuar
Entre os passantes o que mais quis lhe dedicar atenção foi uma crinaça de 3 anos que é arrastado pela mãe que tem pressa e o arrasta,para continuar...Nos 43 minutos em que ele se esmerava para se fazer notado ,apenas 6 pessoas pararam .Entre os donativos que alguns colocaram em seu estojo aberto ali no chão,somaram 32 dólares.Ninguém o aplaude , reconhece o talento do violinista ou reconhece Joshua Bell um dos violonista mais talentosos do mundo e o violino,um Stradivarius de 1713 de 4 milhões de dólares.

A entrada para uma apresentação de Joshua Bell custa em torno de 200 dólares,mas ali tocando incógnitamente naquela estação do Metrô,ninguém parou para ouvi-lo ou prestou atenção na sua apresentação.Essa apresentação foi organizada pelo “Jornal Washington Post” como parte de um experiência social sobre a precepção,gosto e prioridade das pessoas.
O experimento consistia em entender: que se um lugar comum ou inadequado poderemos perceber a beleza que nos cerca ou paramos para apreciar se reconhecemos o talento que se apresenta???
Em uma possível conclusão poderemos deduzir que se não dispomos de tempo para parar, ver ou ouvir um dos mais talentosos violonista atuais no mundo, tocar uma musica angelical .Certamente que não perceberemos outras coisas, a pressa está nos afetando e nos impedindo de ver ou bloqueando os nossos sentidos(?)
Vejam o vídeo

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Beatles:O sonho que não acabou-Come Sing Alone



Uma companhia telefônica propôs um encontro em Trafalgar Square,via contato telefônico celular:COME SING ALONG;
Trafalgar Square é uma praça no centro de Londres que celebra a Batalha de Trafalgar (1805), nas Guerras Napoleónicas.

O convite se espalhou como fogo na relva seca e o resultado foi um público apaixonado pelo Beatles:

Jovens,velhos ,homens, mulheres,crianças aos milhares em torno do amor e da canção.Alguns com um microfone na mão e a letra (karaokê)em um grande telão


Todos cantam e encantam com o repertório da magia musical de Liverpool :the beatles.
Vejam



quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Os Gansos "di neue Heimat"

Ouvimos uma história ontem, que não poderíamos deixar de compartilhar com aqueles poucos que nos lêem ou até pra nós mesmos,numa forma de visualizar enquanto escrevemos, as cenas de tal episódio curioso e pitoresco que ,certamente,ocorrem algures e alhures nesse imenso universo povoado de mentes “férteis , brilhantes e disparatadas”.
Temos com vizinhos da Tracedonia,localizada a oeste “anderland”:chamada pela população antiga “die neue Heimat”,mas convertida em dialeto tupiniquim,para "o que não envelhece:” :Benedito Novo.Ali, die neue kolonist entre muitos costumes trazidos da “alt Heimat” trouxeram a produção de ganso.Ave barulhenta e agressiva, principalmente durante o “choco” e a fase de guarda e proteção aos filhotes.Há quem o julgue mais útil do que um cão, pois estão sempre atentos e sempre tem um de guarda,enquanto os outros dormem ou “pastam”.Na fase de crescimento os gansinhos comem tanto capim como uma vaca,observando-se as devidas proporções de cada animal.É uma carne muito saborosa e apreciada,notadamente pelo consumo de pastagem verde.As suas penas,(peito) são usadas para fazer travesseiros e diversos outros tipos de arranjos:como adorno para cabelo(Blume aus Gänse und Straussenfedern). Antigamente usavam as suas penas caudais para fazer Die Gänsekiel :“Pena-de-Escrever”.Existem também expressões curiosas como dizer:”Estúpido como um Ganso” “dumme gans”,pois é um animal que comete alguns atos de pura bravata ao enfrentar outros animais contra os quais não têm a menor chance.
Pois bem,lá na neue Heimat muitos colonos tem criação de ganso e eles,os gansos naturalmente, não sabem de quem é essa ou aquela propriedade e acabam invadindo roças de milhos verde,recém-brotado e devastam-na... Ein großvater (Opa) tinha “ein schuppen” repleto de milho e o seu vizinho tinha uma grande quantidade de gansos .Até que poderiam fazer uma parceria e os dois sairiam lucrando.Mas os ganso começaram a entrar no schuppen do Opa e a comer o milho e a oma sempre reclamando dos gansos do herr Siedler que comiam todo o milho.O opa tinha que dar um jeito, fazer alguma coisa.Então,o Opa disse:-“eu fái potar feneno" de rato, se eles comem e não sou o culpado.”O opa colocou o veneno de rato em todo o paiol,até porque também precisava manter as ratazanas longe do seu shuppen.
Dias depois a oma entrou correndo:-“Opa,opa matamos todos os ganso do herr Siedler,e agora que tu fái vazer,mann ?” Ora,frau eu vai xogar tudo na grota,abber primeiro fou tirar as penas pra fazer um neue Gans Federkissen (travesseiro) O opa retirou as penas, colocou os gansos em cima de “Schubkarre” e jogou numa baixada próxima. Voltou pra casa ,pois era hora do Frühstück.Comendo o seu pão com schmierwurst, ele olha pra fora e surpreso vê que os gansos estão voltando um a um ,indo pra casa,todos depenados. É,diz o Opa :-“eu acho que eles não tava bem mortos. Eu “acha” que eles andaram bebendo do meu schnapps e não tavam mortos,era só bêbados!” O Opa escondia da Oma um grande garrafão de pinga ,que não se sabe como os gansos viraram e beberam toda a pinga. JATeixeira